Crypturellus

Crypturellus é um gênero de aves da família Tinamidae da ordem dos Tinamiformes. São quatorze espécies presentes no Brasil, com ampla distribuição. Basicamente, habitam as florestas, o seu entorno, assim como capoeiras e cerrados. Possuem dieta variada. Vivem no solo, escondendo-se com facilidade graças à cor de suas penas, que se confundem com a camada superior do solo. Alimentam-se de sementes e frutos em geral, e também de insetos e vermes. Constrõem ninhos rudimentares, praticamente mera escavação no solo, abrigados por moitas de capim, nos quais depositam ovos de belas cores verde-azuladas ou achocolatadas. No aspecto, macho e fêmea se confundem, mas possuem piados bem diferentes.

Crypturellus atrocapillus - inhambu-de-coroa-preta


  Registros de inhambu-de-coroa-preta no WikiAves










O inhambu-de-coroa-preta é uma espécie amazônica, também chamada de inhambu-de-pés vermelhos; não devendo ser confundido com o inhambu-de-perna-vermelha(Crypturellus erythropus).

Mede de 28 a 31 cm. Apresenta o dorso, as asas e área posterior em tom marrom-chocolate, tendendo ao marrom-anegrado próximo à base do pescoço e peito. As faces abaixo dos olhos e garganta são em marrom-avermelhado, e o alto da cabeça apresenta mancha negra circular. O bico é castanho-escuro ou negro. O baixo ventre é em tom marrom-ferrugem e suas patas são vermelhas.
A fêmea apresenta um listrado transversal no dorso ao posterior, semelhante às fêmeas em Crypturellus strigulosus. Apresenta uma subespécie (Crypturellus atrocapillus garleppi). Alguns autores o consideram como uma subespécie de Crypturellus noctivagus.

Habita mais comumente a mata de várzea, bem como, a floresta de terra firme, além de matas secundárias e capoeiras abertas.

Ocorre no Norte do Brasil, próximo às fronteiras com a Bolívia e o Peru, a até 900 metros de altitude.

Crypturellus bartletti - inhambu-anhangaí


  Registros de inhambu-anhangaí no WikiAves











O inhambu-anhangaí é também conhecido como inhambu-de-bico-curto e inhambu-sapo devido à sua vocalização. É ave cinegética que ocorre na Amazônia brasileira, em áreas de floresta inundável (mata-de-várzea) com sub-bosque denso, a até cerca de 500 metros de altitude. É monotípico, ou seja, desconhece-se oficialmente até o momento alguma subespécie.

Mede de 25 a 28 cm, sendo de aparência muito similar à do inhambu-carijó (Crypturellus brevirostris), do qual alguns autores o consideram como uma subespécie.

Crypturellus brevirostris - inhambu-carijó


  Registros de inhambu-carijó no WikiAves








O inhambu-carijó mede cerca de 24 cm de comprimento.

Dos rios Negro e Madeira ao Amapá. Nos estados do Acre, Amapá, Amazonas e Roraima. Ocorre também na Guiana Francesa.

Crypturellus cinereus - inhambu-preto


  Registros de inhambu-pixuna no WikiAves

O inhambu-preto é conhecido também como inambu-pixuna (Amazonas) e nambu-sujo (Pará). A palavra pixuna, em tupi, significa “preto”. Possui coloração cinza-anegrada, que à certa distância aparenta ser totalmente negra. Seu piado é longo, constituido de uma única nota num único tom. É ouvido por todo o dia, e principalmente ao cair do crepúsculo.

Mede cerca de 30 cm de comprimento e pesa em torno de 500 g.

Ocorre na Amazônia brasileira e também nas Guianas, sul da Venezuela, Colômbia e norte da Bolívia.

Crypturellus duidae - inhambu-de-pé-cinza


  Registros de inhambu-de-pé-cinza no WikiAves









Não registro dessa espécie no site

O inhambu-de-pé-cinza mede de 28 a 31 cm de comprimento. Espécie pouco conhecida do noroeste da Amazônia, ocorre no Rio Papuri, afluente do Rio Uaupés, no estado do Amazonas, na fronteira com a Venezuela em altitudes de 200m. Também ocorre na Venezuela e Colômbia.

Crypturellus erythropus - inhambu-de-perna-vermelha


  Registros de inhambu-de-perna-vermelha no WikiAves




O inhambu-de-perna-vermelha mede entre 27 e 32 cm de comprimento, quando adulto. As partes superiores são acastanhadas e o peito cinza contrasta com o ventre amarelado. As costas e asas são levemente barradas, sendo pouco visível nos machos e com variações entre as subespécies.

Comumente registrado em florestas secas e terras arbustivas em altitudes superiores a 1.300m, podendo ser encontrado em habitats de floresta úmida.

É encontrado nos trópicos do norte da América do Sul, nas Guianas (Guiana, Suriname e Guiana Francesa), Colômbia, Venezuela e norte do Brasil (Amazonas, Pará e Amapá).

Crypturellus noctivagus - jaó-do-sul


  Registros de jaó-do-sul no WikiAves

O jaó-do-sul mede entre 32 a 34 cm. As linhas horizontais vermelho-acobreado no dorso inferior, o tom alaranjado do ventre e garganta, e a tonalidade corporal cinza-azulado são colorações típicas do jaó do litoral; as quais tendem a tonalidades de marrom na subespécie nordestina (Crypturellus n. zabele). Vocaliza com frequência do começo da primavera até o final do verão.Sua vocalização padrão consiste numa sequência de 4 notas, sendo a primeira alongada e descendente, e as seguintes curtas e lineares. Emite também um único pio curto e agudo, como advertência ou desafio à outros machos da espécie. Seu piado é ressoante e pode ser ouvido à distância, e no período da reprodução piam inclusive noite adentro. Diferentemente dos machos as fêmeas da espécie piam baixo e de forma variada, normalmente ao amanhecer e no crepúsculo. Apresentam as fêmeas mínimas diferenças no colorido da plumagem, sendo esse em geral um pouco mais claro.
Possui uma subespécie no Nordeste do Brasil, o zabelê (Crypturellus noctivagus zabele), que ocorre à partir de MG e BA, onde também é chamado por zebelê e zambelê. Essa, apresenta coloração geral mais pálida e com riscas claras mais evidentes na cabeça. Tal variação é devida à sua adaptação aos ambientes mais ensolarados como os da Caatinga e veredas. Outro detalhe que as diferencia, é o da subespécie zabele possuir os tarsos de coloração amarelo-claro, e a espécie noctivagus os possuir de coloração tendente à olivácea. Os ovos da espécie noctivagus são pouco mais arredondados ou esféricos que os da subespécie zabele. Sua vocalização também possui uma modulação um pouco diferente daquela emitida pela espécie noctivagus, do litoral leste e sul do Brasil; sendo a do zabelê em geral mais baixa e com dialetos locais já estudados. O desmatamento e a ocupação imobiliária de suas áreas de ocorrência natural, têm contribuido para ameaçá-lo; ocorrendo mesmo extinções locais. É espécie cinegética.

Habita a Mata Atlântica costeira do Sudeste ao Sul do Brasil, entre 0 e 400 m de altitude. Seu habitat típico são as florestas altas de restinga em estado primário, na planície litorânea e estendendo-se à florestas de encostas serranas e de vales de rios, dentro dessa faixa aproximada de altitude. Segundo relatos abalizados, essa espécie apresenta distribuição esparsa e irregular em seu habitat, na floresta atlântica primária; e dentro dele, suas áreas de maior ocorrência pontual seriam nas proximidades de leitos secos de lagoas, recobertos por vegetação rasteira entremeada por gramíneas. Tem relativa tolerância às alterações antrópicas, sendo observada a sua ocorrência em pequenas áreas de floresta primária, circundadas por pastos e plantações.

Sua distribuição geográfica abrange os Estados do ES, RJ, SP, PR, SC e RS. Havendo relatos para o extremo sul da Bahia.

Crypturellus obsoletus - inhambuguaçu


  Registros de inhambuguaçu no WikiAves

O inhambuguaçu (Crypturellus obsoletus) é um tinamídeo florestal que habita a floresta atlântica no Brasil, em praticamente todos os níveis de altitude, sendo sua presença mais marcante acima dos 400 m.

Mede entre 28 e 32 cm. As fêmeas em geral são um pouco maiores e apresentam coloração de tonalidade mais avermelhada. Possui vocalização em escala ascendente fortíssima, sendo a vocalização da fêmea mais longa que a do macho. Emitem também distintos piados de advertência e socialização. Comumente, durante a vocalização da fêmea, os machos intercalam piados ao canto.

A raça geográfica Crypturellus obsoletus griseiventris, também chamado de inhambu-poca-taquara, ocorre no Brasil na região Amazônica; apresentando poucas diferenças quanto ao colorido geral; notadamente o ventre e cabeça mais acinzentados e bico pouco mais longo. Mas de vocalização bem diferenciada, lembrando vagamente a da espécie C. obsoletus obsoletus, do Sudeste e Sul do Brasil. Na Amazônia também ocorre outra raça geográfica, o Crypturellus obsoletus hypochracea.

É encontrado na mata primária, nos trechos de vegetação densa e sub-bosque, e em matas secundárias. Dada à grande redução das áreas da Mata Atlântica primária, substituída por florestas secundárias e plantações de Pinus e Eucalyptus (contendo sub-bosques da mata nativa), o inhambuguaçu apresentou um grande crescimento populacional nas últimas décadas, dada à maior oferta de habitat favorável. Em detrimento por sua vez, de outro tinamídeo como o macuco (Tinamus solitarius), o qual ocorre exclusivamente na Mata Atlântica primária.

Na América do Sul ocorrem algumas subespécies. Ocorre nos estados brasileiros da Bahia (extremo sul) ao Rio Grande do Sul.

Crypturellus parvirostris - inhambu-chororó


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O inhambu-chororó como todo tinamídeo, possui capacidade limitada de voar pela pequena envergadura das asas, mas é uma ave muito arisca. Do tupi vem o nome popular “Inhambú: de o que levanta o vôo rumorejando”, devido ao comportamento de levantar vôo somente em último caso em uma aproximação. O Inhambu-chororó é o menor do gênero (aprox. 19 cm). Habita os campos “sujos”, capoeiras, divisas de pastos, plantações (milho, sorgo, algodão e café, entre outras). Também é conhecido como inhambu-mirim, espanta-boiada, bico-de-lacre e inhambuzinho. Como a maioria dos tinamiformes, é mais ouvido do que visto, sendo assim, aves difíceis de serem fotografadas. É um dos tinamiformes mais comuns do Brasil, após Nothura maculosa.

Muito semelhante ao inhambu-chintã, possui o corpo marrom avermelhado (pálido), com parte do dorso, ventre e barriga acinzentados. Garganta do mesmo tom do peito. Pés avermelhados e bico avermelhado. Sua vocalização consiste numa sequência de notas em escala descendente, pio longo (Exemplo: pio longo) ou também pio curto (pio curto)

As fêmeas, além de pouco maiores que os machos, possuem o bico totalmente vermelho-carmim. Nos machos o bico possui a ponta enegrecida.

O inhambu-chororó vocaliza habitualmente ao amanhecer e ao cair da tarde. Nas áreas onde ocorre, os piados durante o dia identificam caçadores furtivos que os caçam por meio de pios de madeira.

Ocorre ao sul do Amazonas, Pará ao nordeste, sudeste e sul do Brasil, também é encontrado no Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Crypturellus soui - tururim


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O tururim mede cerca de 23 cm de comprimento e pesa em torno de 230 g. A fêmea apresenta a cabeça de cor mais escura e a parte inferior do corpo de um marrom-avermelhado mais brilhante.

Habita tanto áreas secas como úmidas, bordas de florestas densas, capoeiras, florestas secas de restinga e plantações. Às vezes é encontrada em grupos de 3 a 5 indivíduos, empoleirados em emaranhados de cipós.

Está presente da Amazônia à Minas Gerais e Espírito Santo. Encontrada também desde o México até a Bolívia.

Crypturellus strigulosus - inhambu-relógio


  Registros de inhambu-relógio no WikiAves










O inhambu-relógio mede 28 cm de comprimento e pesa em torno de 400 g. O macho apresenta as faces, pescoço e papo de coloração alaranjado-avermelhada e alto da cabeça enegrecida. Enquanto na fêmea a região inferior do dorso e as asas são listradas de preto e amarelo claro, muito similar ao dorso em Crypturellus variegatus. Seu canto impressiona pela suavidade, consistindo em uma única nota aguda e monotônica, que se estende longamente e sem intervalos, apenas com leves modulações eventuais. À exemplo do inhambú-preto (Crypturellus cinereus) e outros tinamídeos amazônicos, o uso de notas únicas e prolongadas é uma estratégia evolutiva para a comunicação, pois essas frequências altas se estendem à distância, conseguindo atravessar largas faixas da vegetação densa, ainda audíveis.

Habita o chão de florestas úmidas de terra firme. Tanto esse quanto o inhambu-anhangá (Crypturellus variegatus) gozam da fama de cantar horas certas e daí o nome popular. No caso do Crypturellus variegatus ou mais conhecido como chororão, o nome popular é relógio-de-boiadeiro.

Ao longo de sua distribuição geográfica, essa ave apresenta populações com caracteristicas de coloração levemente diferenciadas. São muito vocais e sua voz é ouvida até nas horas mais quentes do dia, continuamente, desde que o dia seja bem ensolarado. Com a formação de nuvens e a queda da luminosidade, para de cantar para só reassumirem essa atividade após a volta da luz solar plena. Das aves do gênero Crypturellus, é a única com acentuado dimorfismo sexual. No entanto, é a que tem menos diferenças entre as vocalizações dos dois sexos, a ponto de serem quase indistinguíveis para os ouvidos mais treinados e de não revelarem, em sonogramas, grandes diferenças mensuráveis, sendo a vocalização da fêmea apenas mais baixa que a do macho.

Ocorre da Amazônia brasileira ao sul do Rio Amazonas, desde o Maranhão até o extremo oeste, e ainda nos estados de Pernambuco e Alagoas. Encontrado também no Peru e na Bolívia.

Crypturellus tataupa - inhambu-chintã


  Registros de inhambu-chintã no WikiAves

O inhambu-chintã possui tamanho intermediário (21 cm),entre o inhambú-chororó (o menor do gênero) e o inhambúguaçu. O colorido do dorso é bruno castanho, cabeça e pescoço são cinza escuro, garganta e o meio da barriga cinza-azulado; o resto do lado inferior cinzento, os lados da barriga e coberteiras inferiores da cauda pretas com orlas esbranquiçadas. O bico é vermelho e as pernas roxas. É conhecido por pé-roxo, chitão e bico de lacre. Apresenta raças geográficas ao longo de sua distribuição na América do Sul.
O nome chintã ou chitão, vem do desenho críptico das penas traseiras, que na imaginação dos caboclos se assemelharia ao colorido de um “pano de chita”.

É um tinamídeo relativamente comum em grande parte do Brasil, e que apresenta boa resistência às alterações antrópicas. Habita capoeirões, espigões de mata secundária, plantações degradadas em áreas de mata nativa primitiva, plantações (milho, café, algodão, entre outras). Em canaviais e áreas de eucalyptus, pode ocorrer em havendo capoeiras nativas nas proximidades. Sua vocalização consiste numa rápida escala descendente, e variações da mesma.

Esta espécie ocorre desde o Espírito Santo até a Argentina.

Crypturellus undulatus - jaó


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O jaó mede cerca de 31 cm de comprimento. O jaó desloca-se pelo chão da floresta quase sem fazer ruído, apesar de ser relativamente corpulento. Sua plumagem cinza amarronzada do dorso é finamente estriada.

Seu nome comum deriva do pio longo, assobiado e um pouco melancólico, emitido o ano todo, com mais freqüência no período reprodutivo. Parece que está dizendo “Eu sou Jaó”, com maior ênfase no final. Escutado no início da manhã e do meio da tarde até o escurecer. Algumas vezes, pia em noites de lua cheia.

Habita a mata de várzea e galeria, capoeira, matas secas e ralas e cerrado. Vivem, também, em campos e florestas de toda a América do Sul. Embora possam voar, não possuem a quilha óssea do osso do peito que possibilita o vôo contínuo. Todos os tinamídeos usam as asas como último recurso de fuga, fazendo um vôo curto, entremeado de planeios nas espécies campestres.

Região norte, oeste da região Nordeste, Centro-oeste, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Ocorre também na Venezuela, Guiana, Colômbia e Peru.

Crypturellus variegatus - inhambu-anhangá


  Registros de inhambu-anhangá no WikiAves

O inhambu-anhangá mede entre 28 e 30 cm. As aves das populações da Bahia ao Rio de Janeiro, tendem a ser maiores que as das populações amazônicas. Apresentam também vocalização um pouco diferenciada daquelas da Amazônia. Macho e fêmea possuem vocalizações diferentes. Praticamente não há dimorfismo sexual aparente.

A presença de Crypturellus variegatus no Sudeste do Brasil, é um dos indicadores do fato da Floresta Amazônica haver se estendido para para Leste até contato com a Mata Atlântica, no passado, havendo posteriormente recuado com o surgimento do cerrado brasileiro, deixando nela uma população isolada desses tinamídeos; na qual os exemplares apresentam em geral um maior porte físico, comparativamente ao da população amazônica. É espécie típica de florestas primitivas, com certa tolerância a ambientes pouco alterados.

Tinamus

Tinamus é um gênero de aves Tinamiformes da família Tinamidae.

Tinamus guttatus - inhambu-galinha


  Registros de inhambu-galinha no WikiAves









Não há registro dessa espécie no site

O inhambu-galinha mede cerca de 34 cm de comprimento. Sua vocalização consiste em piados graves e esparsos. Não possuem subespécies descritas.

É espécie cinegética. Habita a floresta de terra firme, bem como a mata de várzea. Na época das enchentes na Amazônia, são comumente capturados como alimento pela população local, juntamente com outros tinamídeos, quando tentam cruzar voando os grandes rios, e caem próximo às margens, seja por fadiga ou por chocarem-se contra a densa folhagem da mata ciliar.

Tem ocorrência tipicamente amazônica no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. No Brasil ocorre também em parte do Estado do Maranhão.

Tinamus major - inhambu-de-cabeça-vermelha


  Registros de inhambu-serra no WikiAves

O inhambu-de-cabeça-vermelha mede cerca de 41 cm e pesa 1,05 kg. É ave cinegética. Muito arisca e cuja plumagem apresenta excelente coloração de camuflagem. Na região Norte do Brasil, divide seu hábitat com outras espécies do gênero Tinamus, como a azulona (Tinamus tao) e o macuquinho ou inhambu-galinha (Tinamus guttatus), o menor representante do gênero. Sendo de maior ocorrência nessa região, a subespécie Tinamus major olivascens.

É uma ave tinamiforme florestal, terrícola. Habita as matas de terra firme e várzeas.

Ocorre nos estados do Amazonas, Pará e norte do Mato Grosso. Ocorre também do México à Bolívia.

Tinamus solitarius - macuco


  Registros de macuco no WikiAves

Nome de origem tupi-guarani: “Mogoico-erê”. É o maior representante dos tinamídeos na Mata Atlântica. É espécie cinegética.

O macuco atinge até 52 cm e entre 1,5 a 2,0 Kg de peso médio. As fêmeas geralmente são maiores e mais pesadas que os machos. Possui coloração geral acinzentada com matiz verde-oliva, e desenho críptico nas penas traseiras (retrizes).

Habita a Mata Atlântica primitiva, sempre próximo a riachos. Sua vocalização principal consiste eu um único pio meio agudo e bem espaçado, sendo o pio do macho mais curto que o da fêmea. Emitem também um chororocado, e na época da reprodução quando empoleiram, emitem três pios seguidos. As fêmeas são dominantes e territoriais. Tomam banho constantemente e um casal geralmente se localiza no limite de audição do pio de outro casal, ou seja, aproximadamente a cada 200-250 metros. A principal ameaça que contribui para o risco de extinção dessa espécie é a do desmatamento, pois a ave não se adapta à mata secundária, por essa não apresentar as mesmas características de biótopo da mata primitiva. A caça predatória ainda existe, mas dadas às dificuldades em atrair essa arisca espécie no pio, mesmo na época do acasalamento, não seria um fator decisivo de ameaça.

Os tinamídeos do gênero Tinamus (no Brasil: T. solitarius, T. major, T.tao e T. guttatus), empoleiram para dormir, e como não têm o dedo de trás, o fazem em galhos grossos (entre 4 e 12 metros do solo) usando as canelas serrilhadas para se equilibrarem. Os pés ficam extendidos à frente, sem tocar na madeira. É comum haver sobre o poleiro escolhido, uma abertura na folhagem que permite o vôo de fuga da ave.

Os macucos geralmente frequentam trilhas na mata. Tal comportamento talvez esteja ligado à possibilidade de avistarem mais facilmente a aproximação de predadores.

Em áreas ainda bem povoadas por macucos, mateiros para os atrairem, entre outros métodos, “riscam” o solo com o pé ou facão, expondo a terra úmida numa faixa de 15 a 20 metros por meio metro de largura. A ave sente o odor da terra exposta e é atraida pela possibilidade de encontrar vermes facilmente.

Essa técnica auxiliar em conjunto com a do pio, também pode ser utilizada por birdwatchers ou fotógrafos, para registrá-lo. Convém estar bem abrigado nas proximidades, em uma choça feita com folhas de palmeiras espetadas no solo, ou mesmo usando “cortina” de tecido camuflado, recoberta por galhos.

Mata Atlântica nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Tinamus tao - azulona


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Não há registro dessa espécie no site

A azulona conhecida também como inhambu-açu, itona (Mato Grosso), inhambu-peba e peva (Amazonas), inhambu-tona, inamu e ubu (nomes indígenas, Mato Grosso). Inambu, em tupi, deriva de y (= o que) + am (= em pé) + bur (emergir), enquanto açu significa “grande”.

Mede cerca de 46 cm de comprimento. O macho pesa cerca de 1,55 kg e a fêmea 1,7 kg. Sua coloração é cinza-ardósia.

As estreitas afinidades entre o macuco e a azulona sempre foram objeto das cogitações dos sistematas que os estudaram. As diferenças entre eles estão, praticamente, no colorido, já que, morfologicamente, são idênticos. Apenas no peso, nossos dados acusam pequena vantagem para a azulona. É provável que macuco e azulona venham de um ancestral comum e que, por razões climáticas, foram separados pela ocorrência de soluções de continuidade entre as áreas florestadas da Amazônia e do Sudeste (Mata Atlântica). Mantiveram muita coisa em comum, como a voz, igualmente eficiente para ambas, nos biótopos semelhantes em que remanesceram. A azulona apresenta subespécies ou raças geográficas, ao longo de suas áreas de ocorrência, onde divide o habitat com outros representantes do gênero Tinamus, como o inhambu-galinha (Tinamus guttatus) e o inhambu-de-cabeça-vermelha (Tinamus major), este encontrado na mata-de várzea.

Espécie florestal, uma das maiores da família. Habita o chão de florestas úmidas de terra firme.

Amazônia brasileira, na região ao sul do Rio Amazonas, compreendida entre o oeste do Maranhão e a margem direita do Rio Madeira. Encontrada também nas florestas de galeria existentes nos cerrados do Brasil Central, no Mato Grosso, oeste de Goiás e norte do Tocantins, bem como na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guiana.

Referências